Diário de bordo número 4
Missão Acayu
Astronauta Nando Martins, piloto da nave

Desilusão,
Me diz se tem terreno mais fértil para a criatividade do que uma desilusão?
O ego fica ferido e buscamos expressar a dor de outras formas, através do traço, do grito, do corpo.
Outra forma que encontro é fundo do copo, mas ali consigo ver um rosto, que bebo para que ele fique turvo e eu não possa mais enxergar.
Da desilusão vem uma enxurrada de sentimentos, mas também de inspiração, como essa que você ouve agora.
Tudo no universo é cíclico, para que um novo ciclo comece, outro precisa se fechar. O fim não é de fato o ponto final, e sim um novo começo.
E a vida, é tipo um álbum de figurinhas, só que não dá pra completar, porque cada figurinha é única. São momentos que não voltam mais, então que sejam momentos bem vividos.
Por isso, se jogue de cabeça na vida, não se segure.
Se for pra sorrir, sorria, se for pra amar, ame, se for pra chorar, chore.
Só não tenha medo de se jogar, não tenha medo de viver.
Afinal de contas, café frio não anima ninguém e água morna não serve nem pra chá.
Viva, viva intensamente, pra não se arrepender depois.